O apelo ao cessar-fogo feito por Angola deve ser integralmente abraçado por todos os actores na República Democrática do Congo (RDC), defendeu o ministro belga dos Negócios Estrangeiros, Maxime Prévot, em mensagem escrita, segunda-feira, na rede social X e retomada pela imprensa congolesa.
"Encorajo todas as partes e as diversas forças políticas a abraçarem integralmente essa dinâmica, a fim de estabelecer um cessar-fogo eficaz e contribuir construtivamente para um diálogo inclusivo em prol da paz e do desenvolvimento", escreveu o diplomata belga.
Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros belga, Maxime Prévot, a iniciativa, acolhida de várias formas pelos vários actores políticos e grupos armados, serve para contribuir, também, na efectivação do aguardado diálogo nacional inclusivo em prol da paz e do desenvolvimento, que poderá ser convocado em tempo oportuno pelo Presidente Félix Antoine Tshisekedi.
Para o diplomata da antiga potência colonial do RDC, o apelo ao cessar-fogo feito pelo Presidente João Lourenço e a missão enviada a Goma no âmbito do Mecanismo de Verificação e Facilitação da Ajuda Humanitária, são passos na direcção certa que as partes em conflito não devem desperdiçar.
O chefe da diplomacia do Reino da Bélgica disse que o seu país está a incentivar todas as partes envolvidas no conflito e as diversas forças políticas na República Democrática do Congo a abraçarem integralmente o apelo ao cessar-fogo feito pela República de Angola.
Maxime Prévot indicou que a Bélgica permanece firmemente comprometida em apoiar esses esforços que visam silenciar permanentemente as armas e consolidar a coesão nacional.
Recorde-se que Luanda acolheu, a 9 de Fevereiro, um encontro em que estiveram presentes o Chefe de Estado João Lourenço, como anfitrião, Félix Antoine Tshisekedi, Presidente da República Democrática do Congo, Faure Gnassingbé, Presidente do Conselho da República Togolesa e Mediador da União Africana, e Olusegun Obasanjo, em representação dos cinco ex-Chefes de Estado designados pela União Africana como Facilitadores do Processo de Paz da RDC, que no fim produziu um documento de três pontos.
O primeiro ponto refere-se ao cessar-fogo, a ser observado tal como acordado em Doha, Qatar, a 14 de Outubro de 2025, já a partir do meio-dia de 18 de Fevereiro. O segundo ponto relaciona-se ao mandato conferido a Angola, na pessoa do Presidente João Lourenço, para iniciar consultas com todas as partes congolesas interessadas, com vista a criar condições para a realização do diálogo inter-congolês.
No terceiro e último ponto, recordam-se aos intervenientes na crise congolesa sobre as decisões tomadas ao abrigo do Acordo de Washington de 4 de Dezembro de 2025 e das Resoluções 2773 (2025) e 2808 (2025) do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a retirada das tropas rwandesas do território congolês e a neutralização das FDLR.