A República Democrática do Congo (RDC) anunciou, quinta-feira, que vai comprar mais de 2 mil megawatts de energia a Angola para reforçar o seu sistema de fornecimento do produto às populações e às empresas.
A informação foi avançada pelo ministro dos Recursos Hídricos e Electricidade da RDC, Molendo Sakombi, à saída de uma audiência com o Presidente da República, João Lourenço, no Palácio da Cidade Alta. A compra de energia eléctrica, precisou o governante congolês, vai ser feita através de uma linha com 1.450 quilómetros de extensão, que será repartida em duas, sendo a primeira proveniente de Malanje e a segunda da cidade do Soyo, província do Zaíre.
Molendo Sakombi fez saber que a primeira linha, com uma extensão de 1.290 quilómetros, vai sair de Malanje, passando por Dilolo até à localidade de Fungurume, na RDC, ao passo que a segunda, com 160 quilómetros de extensão, partirá da cidade do Soyo até à cidade de Inga, também na RDC.
O ministro dos Recursos Hídricos e Electricidade da RDC não revelou o custo da empreitada, mas assegurou tratar-se de uma operação que vai envolver centenas de milhões de dólares. "É um custo crescente que pode, de facto, vir a ter uma tendência para muito mais em termos financeiros", destacou Molendo Sakombi, assegurando haver já financiamento para a linha Soyo-Inga. "É uma extensão de 160 quilómetros, que poderá ser já levada a cabo dentro de dias, e a obra ficar concluída num espaço de 18 meses", salientou.
O governante esclareceu que o encontro com o Presidente da República teve como finalidade a solicitação de "autorização" para que os técnicos iniciem já a trabalhar no projecto, que deverá contar com a intervenção de empresas congolesas e angolanas. "Esta parceria com Angola é, para nós, uma mais-valia, na medida em que nos vai permitir abastecer as nossas populações e as nossas empresas", frisou.
O ministro dos Recursos Hídricos e Electricidade da República Democrática do Congo disse que o seu país necessita de mais energia eléctrica para suprir as necessidades da sua população, estimada em mais de 100 milhões de habitantes.
Apesar de a RDC ser detentora da grande Barragem do Inga, considerada uma das melhores a nível regional, Molendo Sakombi disse que a mesma ainda não funciona em pleno, situação que disse estar a levar o país a socorrer-se de outros países da região, com destaque para Angola, a fim de reforçar o seu sistema de fornecimento de energia. "Por isso, pensamos que, enquanto este projecto não estiver definitivamente funcional, temos que adquirir energia a um país irmão, para podermos fornecer às nossas populações e às nossas empresas", salientou.
Molendo Sakombi adiantou que o encontro serviu também para voltar a agradecer ao estadista angolano por todo o esforço que vem empreendendo em prol da paz definitiva na República Democrática do Congo. "É verdade que estamos a passar por uma situação crítica, mas o Presidente João Lourenço tem emprestado uma mão forte e apresentado soluções para que nós consigamos atingir esta paz", acentuou.
Tshisekedi escreve a João Lourenço
O Presidente da República Democrática do Congo (RDC) endereçou, ontem, uma mensagem ao seu homólogo angolano, cujo conteúdo não foi revelado. O portador da missiva foi o alto representante de Félix Tshisekedi para o Monitoramento do Roteiro de Luanda e das Organizações Económicas Regionais, Sumbu Sita Mambu, recebido numa outra audiência pelo Chefe de Estado.
O Roteiro de Luanda é um acordo diplomático assinado a 6 de Julho de 2022, na capital angolana, focado na pacificação do Leste da República Democrática do Congo.